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Harvard estudou a nossa memória no climatério e vale a pena entender a conclusão

Estive relendo dois levantamentos de Harvard sobre memória e menopausa e precisava compartilhar com você. Não porque é assustador. Mas porque é libertador.

Até porque a perda de memória recente tem sido um dos sintomas de perimenopausa que mais têm me afetado.

A conclusão principal desses levantamentos é exatamente o que nós (mulheres 40+)  precisamos ouvir: as queixas cognitivas na perimenopausa são reais, têm base fisiológica e, na maioria dos casos, não têm nada a ver com demência.

Aquela palavra que some no meio da frase. O raciocínio que parece mais lento. O nome que não vem. Tudo isso tem explicação hormonal.

O estradiol, que é a forma mais ativa do estrogênio, age diretamente no cérebro através de receptores espalhados em regiões que controlam memória, humor e sono. 

Pensa nesses receptores como fechaduras, e o estradiol como a chave. Quando a chave entra na fechadura, o cérebro recebe o sinal para funcionar bem. Quando o estradiol começa a flutuar e cair na perimenopausa, essa chave some. E as fechaduras ficam sem resposta.

O hipocampo, que é a região do cérebro responsável pela memória e pelo aprendizado, é uma das áreas com mais dessas fechaduras. Por isso a memória é uma das primeiras a sentir. 

E o humor também, porque o estrogênio regula a produção de serotonina e dopamina, os neurotransmissores que controlam como você se sente emocionalmente.

Está tudo conectado. E faz todo sentido.

E tem mais uma coisa que eu quero que você saiba: esses sintomas costumam ser mais intensos justamente na perimenopausa, quando os hormônios estão mais instáveis. Quando eles se estabilizam na menopausa, mesmo em níveis mais baixos, a cognição tende a melhorar.

Isso não significa esperar e sofrer. Porque três fatores pioram esse quadro de forma independente, e todos eles estão dentro do que você pode trabalhar agora.

Sono ruim. Não dormir bem, por si só, já compromete a sua memória do dia seguinte. Quando o sono melhora, a cognição melhora junto. Isto está comprovado cientificamente e, por esse motivo, é tão importante cuidarmos da nossa rotina do sono.

Estresse e ansiedade. A relação é bidirecional. O estresse piora a sua memória, e esquecer as coisas aumenta a ansiedade. Um ciclo que se alimenta sozinho, mas que precisa ser trabalhado através de atividade física, momentos de descanso, desconexão das redes sociais e por aí vai.

Tristeza sem motivo. Sintomas de depressão e dificuldade de memória andam juntos com muita frequência. Cuidar do emocional nessa nossa fase é, literalmente, cuidar do raciocínio. Não queria dar conta dessa fase sozinha e não tenha receio de buscar ajuda.

Se você chegou até aqui reconhecendo algum desses sintomas, quero que você leve uma coisa com você hoje: não é fraqueza, não é idade, não é coisa da sua cabeça.

É o climatério. E entender isso muda a forma como você se cuida e se julga.


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Carla Righi

Sobre a autora

Carla Righi é Health Coach de Nutrição Funcional Integrativa, formada pelo Institute for Integrative Nutrition de Nova York, com especializações em Hormone Health, Gut Health e Emotional Eating Psychology. É também especialista em Menopausa pela University of Vermont. Acompanha mulheres ao redor do mundo no processo de transição hormonal, intestinal e emocional que se inicia após os 35 anos e se estende além da menopausa.

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