Semana passada saiu uma notícia importantíssima para as mulheres no climatério.
No dia 8 de julho, a FDA formalizou a remoção da tarja preta dos produtos de reposição hormonal.
O anúncio de que isso ia acontecer é de novembro do ano passado. As primeiras mudanças de rótulo vieram em fevereiro. Agora, em julho, ficou oficial.
Ou seja, o aviso em letras garrafais que assustou uma geração inteira de mulheres e de médicos, falando em câncer de mama, coração e demência, caiu.
O FDA concluiu que o medo era baseado num estudo dos anos 2000, feito com mulheres fora da janela de oportunidade (com mais de 10 anos pós-menopausa) e com formulações que quase ninguém usa hoje.
Mas o que me chama atenção não é a notícia. É o que vem depois dela.
Mesmo com a ciência tendo mudado, o uso de reposição nos Estados Unidos está no nível mais baixo em quase vinte anos. Segundo a Mayo Clinic, mesmo entre as mulheres que mais se beneficiariam, dos 50 aos 59 anos, só cerca de 3,5% tratavam.
Menos de quatro em cada cem.
No Brasil, o cenário é parecido. São 17 milhões de mulheres no climatério, e as diretrizes da Febrasgo de 2024 reconhecem que poucas tratam os sintomas. Uma pesquisa de mercado da Reds Research, de 2025, colocou número nisso: só 12% fazem reposição, contra 20% na Europa. E aponta um agravante nosso, o acesso. Só 1 em cada 4 brasileiros tem plano de saúde. O resto depende do SUS, e a maioria nem chega perto de um especialista que saiba orientar.
Mas por que esse cenário está dessa forma?
Uma pesquisa publicada na própria Mayo Clinic mostrou que só 7% dos residentes de medicina (incluindo ginecologia e clínica geral) se sentiam preparados para lidar com menopausa.
O tema saiu da formação médica, e uma geração inteira de médicos deixou de aprender a tratar menopausa.
Some a isso o outro lado: se o médico não pergunta e a mulher não conta, a conversa não acontece…
Ou seja, muitas vezes você sabe que algo está errado, que está com sintomas estranhos, chega no consultório, e do outro lado tem alguém que não foi treinado para te responder.
E é por isso que eu sempre instruo as mulheres de que a informação hoje é a nossa maior arma.
A ciência mudou, as opções existem, muitas seguras e bem estudadas, e você não precisa passar o resto da vida convivendo com sintomas como se fossem destino. Fogachos, noites sem dormir, ansiedade e depressão, ressecamento, falta de energia, aumento de peso…
O que você precisa é chegar no consultório sabendo o que perguntar. Mulher informada muda a conversa. Ela não espera o médico puxar o assunto, ela puxa.
Se você tiver qualquer dúvida sobre a reposição, ou sobre quais são as suas opções junto a um médico especializado, fique à vontade para me mandar uma mensagem pelos meus canais de contato do site.
Beijos!