Pergunta sincera: vocês sentem que de uns tempos pra cá começaram a ter mais coceiras, a pele mais seca e intolerância a alimentos que sempre comeram normalmente?
Se a resposta for sim, eu quero falar sobre um dos pontos mais importantes que acontecem com a gente no climatério, mas que poucos profissionais abordam.
Muita mulher passa dos 40 e jura que ficou alérgica a um monte de coisas ao mesmo tempo. Mas na maioria das vezes não é alergia. É a ligação entre o desequilíbrio hormonal no climatério e a histamina.
Histamina é uma substância que o seu corpo produz naturalmente em resposta a alérgenos, a determinados alimentos, ao estresse e à inflamação. Ela é importante, faz parte da sua defesa.
O problema é quando sobra. Aí vêm coceira, espirro, urticária, congestão, enxaqueca, insônia, ansiedade e aquela intolerância nova a alguns alimentos (muito comum ao vinho e ao queijo) que você não tinha antes. Tudo isso pode ser histamina alta.
E no climatério, três coisas a empurram pra cima.
1- A primeira é o estrogênio. No começo da perimenopausa ele não cai de forma linear, ele oscila, e muitas vezes sobe antes de despencar. Estrogênio alto estimula os mastócitos, que são as células que estocam e liberam histamina. Ou seja, estrogênio circulando de forma desequilibrada, mais histamina solta no sistema.
2- A segunda é a progesterona. Ela é o seu calmante natural e ajuda a equilibrar a resposta à histamina. Quando ela despenca na perimenopausa, a histamina perde o freio.
3- A terceira é o intestino. A enzima que quebra a histamina dos alimentos se chama DAO, e ela é produzida principalmente na parede do intestino delgado. Se o seu intestino está inflamado, com disbiose ou com excesso de bactérias no lugar errado, você produz menos DAO. Aí a histamina que entra pela comida não é degradada direito e vai acumulando.
Por isso, tanta mulher no climatério (e principalmente na perimenopausa) começa a reagir a alimentos que comeu a vida inteira. Vinho, queijo curado, tomate, embutido, fermentado. Não é coincidência…
O que ajuda de verdade são três coisas, nessa ordem.
1- Primeiro, cuidar do intestino. Sem intestino funcionando, nada do resto se sustenta. Fibras variadas pra alimentar as bactérias boas, muita hidratação e investigar SIBO (super crescimento bacteriano no intestino delgado) se você sente que fica estufada com quase tudo, acorda com barriga lisa e vai dormir com barriga de grávida e sofre com constipação ou diarreia constantes.
Cuidar do intestino é a base, e é onde eu sempre começo.
2- Segundo, reduzir alimentos altos em histamina temporariamente. Vinho, queijo curado, embutido, alimentos fermentados e, atenção, sobras de comida. Você sabia que quanto mais tempo o alimento fica guardado na geladeira, mais histamina ele acumula?
E lembre-se que essa retirada de alimentos deve ser apenas TEMPORÁRIA pra dar um respiro para o sistema. Depois você reintroduz aos poucos e observa como o seu corpo responde.
3- Terceiro, avaliar reposição hormonal com um médico especializado em menopausa. A progesterona bioidêntica costuma ser a peça que mais ajuda no quadro de histamina alta na perimenopausa, porque ajuda a equilibrar o estrogênio, que é o principal estímulo da liberação de histamina.
A virada de chave aqui é entender que você não ficou alérgica do nada, mas a variação e o decréscimo hormonal fazem com que seu corpo reaja de forma diferente a determinados estímulos de histamina.