Hoje vamos falar de disruptores hormonais. Você sabe o que são?
São substâncias químicas sintéticas que interferem no nosso sistema hormonal. Muitas delas têm uma estrutura tão parecida com a dos nossos hormônios que conseguem se encaixar nos receptores e ocupar um lugar que deveria ser de um hormônio de verdade.
E aí começa o problema. Quando um disruptor se liga a um receptor, a resposta que ele provoca é diferente da que o corpo esperava. Às vezes estimula além da conta, às vezes bloqueia o efeito do hormônio verdadeiro. E o nosso equilíbrio hormonal, que já anda delicado na peri e na menopausa, pode ficar ainda mais bagunçado.
Para você ter uma ideia do tamanho da questão, um relatório da Organização Mundial da Saúde, feito em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente e publicado em 2013, associou a exposição a esses químicos ao aumento de casos de câncer de mama, endometriose, infertilidade, diabetes, problemas de tireoide, TDAH e dificuldades de aprendizado. De lá para cá, várias pesquisas vêm investigando também a ligação com doenças autoimunes, cardíacas, Parkinson e Alzheimer.
E como se não bastasse tudo isso, alguns desses químicos são chamados de “obesogênicos”. Como mexem no sistema endócrino, interferem na velocidade do metabolismo, no equilíbrio energético e no controle do apetite. Na prática, facilitam o nosso ganho de peso.
E onde eles estão?
- Nos agrotóxicos
- Nos aditivos dos alimentos ultraprocessados
- Nas embalagens e garrafas plásticas
- Nos cosméticos
- Nos produtos de limpeza
- Nos retardadores de chama, principalmente em sofás, colchões e eletrônicos mais antigos
- Na água mal filtrada e até na poluição do ar
E como diminuir o seu contato?
- Prefira alimentos orgânicos ou sem agrotóxicos sempre que der. Se não for possível comprar tudo orgânico, aqui nos EUA a lista Dirty Dozen, do EWG, ajuda a saber por onde começar.
- Invista em um bom sistema de filtragem de água.
- Diminua os ultraprocessados. Menos comida de pacote, menos aditivo químico no prato. Se você está no Brasil, o app Desrotulando ajuda bastante na hora de escolher no mercado.
- Evite ao máximo água de garrafinha plástica, principalmente a que ficou no carro ou no sol. O calor aumenta a passagem de químicos do plástico para a água.
- Troque suas garrafas de água de plástico por inox ou vidro, mesmo as que dizem “BPA free”. Em muitas delas o BPA foi trocado por primos próximos, como o BPS e o BPF, que também têm ação hormonal.
- Nunca esquente comida em pote de plástico no micro-ondas.
- Vá substituindo os potes de plástico da cozinha por vidro. Enquanto isso não acontece, evite guardar comida gordurosa ou quente no plástico, porque é nessas condições que os químicos do material passam mais para o alimento.
- Na hora de escolher cosméticos, prefira marcas clean e dê uma olhada no rótulo. Parabenos e ftalatos estão entre os mais comuns, e os ftalatos costumam se esconder atrás da palavra “fragrância” ou “parfum”. O app que mais recomendo para escanear cosméticos é o Yuka.
Não precisa mudar tudo de uma vez. Minha sugestão é começar trocando a sua garrafa de água de plástico e baixando um app para escanear os cosméticos que você já tem em casa. Depois, aos poucos, vá fazendo as outras trocas.