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Hormônio Progesterona: quando você realmente precisa (e qual tipo)

Hoje vamos falar de uma pergunta que já recebi algumas vezes, quando falo sobre reposição hormonal.

Sobre a progesterona, quando ela é indicada, se é necessária e qual o melhor tipo.

A progesterona é um dos hormônios principais do ciclo feminino. Ela é produzida depois da ovulação e tem um papel calmante no corpo, como se fosse um dos hormônios que nos deixa mais “equilibrada”.

Mas fora isso, ela ajuda no sono, ajuda o corpo a não reter tanto líquido, e dentro do nosso ciclo, é ela que equilibra a ação do estrogênio.

Quando entramos na perimenopausa e naturalmente começamos a ovular menos (lembre-se que você pode até menstruar todos os meses, mas isso não significa que você esteja ovulando), a produção de progesterona começa a cair e podem começar a surgir sintomas como: insônia, irritabilidade, depressão, ansiedade e TPM mais forte, ciclos mais curtos e fluxos mais intensos.

O fato é que, atualmente já existem condutas médicas que direcionam a reposição apenas de progesterona nessa primeira fase da perimenopausa antes mesmo de se iniciar a reposição de estrogênio.

Porque grande parte desses sintomas vem justamente da queda da progesterona nessa primeira fase, e não da falta de estrogênio naquele momento.

Agora, para as mulheres que decidem iniciar a reposição de estrogênio (para melhora de outros sintomas como fogachos, fadiga, dores crônicas, proteção cardiovascular e óssea, etc), temos dois pontos principais com relação ao uso da progesterona:

1- Se você ainda tem útero, a reposição de progesterona é necessária para proteção do seu endométrio.

Isso acontece porque o estrogênio sozinho estimula o endométrio, que é o revestimento interno do útero. Sem a progesterona pra equilibrar esse estímulo, esse tecido vai crescendo demais, sem freio. Com o tempo, isso aumenta o risco de hiperplasia endometrial e de câncer de endométrio. A progesterona é exatamente o que freia esse crescimento.

2- Para as mulheres que retiraram o útero, a reposição de progesterona é opcional e em decisão com seus médicos. Ou seja, você pode utilizá-la para melhora da qualidade do sono e sintomas emocionais mas não mais de forma obrigatória para proteção do endométrio.

Com relação ao tipo, existem algumas formas de progesterona. As progestinas sintéticas, presentes em pílulas anticoncepcionais e em alguns DIUs, que funcionam, mas são moléculas parecidas, não idênticas à que o nosso corpo produz.

Já a bioidêntica micronizada tem a estrutura mais próxima da nossa própria progesterona, aquela que o corpo fabricava depois da ovulação. Por isso é a mais utilizada pra proteger o útero durante a reposição de estradiol, e a que tem mais respaldo nos estudos pra essa função.

O creme de progesterona entra em algumas situações específicas. Não é que ele seja proibido ou inútil. Só que até hoje não temos evidência de que ele proteja o endométrio da mesma forma.

Um dos motivos é bem prático: a absorção pela pele varia demais de uma mulher pra outra. O que passa pela barreira da pele numa pode ser muito diferente do que passa em outra. E o nível que chega no sangue por essa via pode não ser suficiente pra proteger o endométrio como a via oral protege.

Sobre o melhor horário, a progesterona oral costuma ser tomada à noite, justamente porque ela pode ajudar no relaxamento e na qualidade do sono.

Lembrando que a decisão do uso e do protocolo hormonal sempre será sua em conjunto com o seu médico. Mas considero muito importante você ter algumas informações relevantes pra saber fazer as perguntas certas na hora da sua consulta.

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Carla Righi

Sobre a autora

Carla Righi é Health Coach de Nutrição Funcional Integrativa, formada pelo Institute for Integrative Nutrition de Nova York, com especializações em Hormone Health, Gut Health e Emotional Eating Psychology. É também especialista em Menopausa pela University of Vermont. Acompanha mulheres ao redor do mundo no processo de transição hormonal, intestinal e emocional que se inicia após os 35 anos e se estende além da menopausa.

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