Observar suas fezes é uma forma simples e eficaz de monitorar a saúde intestinal. Através da cor, consistência, frequência das evacuações e outros detalhes, é possível identificar possíveis problemas e buscar ajuda quando necessário.
Principais pontos a observar:
Tempo de trânsito: Em média, o tempo de trânsito intestinal pode variar de 12 a 24 horas após a ingestão de alimentos. Esse intervalo pode ser influenciado tanto pelo tipo de dieta, intolerâncias alimentares, falta de enzimas digestivas, problemas de motilidade ou algumas doenças crônicas.
Facilidade da evacuação: O ideal é que a evacuação ocorra sem urgência ou esforço e que você sinta uma sensação de real alívio. Se houver dor ou dificuldade constante, é muito importante procurar um profissional da área para entender a causa raíz. E atente-se que muitas pessoas até evacuam diariamente mas sempre ficam com a sensação de “evacuação incompleta”, e isso já é considerado um sinal de constipação.
Cor: A cor das fezes é um dos primeiros indicadores da saúde digestiva. O marrom é a cor mais comum e saudável. Alterações na cor podem indicar problemas como:
- Fezes muito claras: quando muito frequentes, podem indicar problemas no fígado ou na bile. É importante investigar.
- Fezes muito escuras ou pretas: Podem sugerir sangramento no trato gastrointestinal, como úlceras por exemplo e, nesse caso, é importantíssimo procurar um médico. Mas se elas forem esporádicas e surgirem após a ingestão de alguns alimentos específicos de cor escura ou de alguns suplementos (como o de ferro, por exemplo), está tudo bem.
- Fezes verdes: Podem ser causadas por um trânsito intestinal rápido ou pelo consumo excessivo de alimentos verdes. Reduza seu consumo e veja se elas voltam à coloração normal.
- Sangue nas fezes: Sangue vermelho vivo pode indicar hemorroidas ou fissuras anais, enquanto sangue escuro ou preto pode sugerir sangramento no trato gastrointestinal, como mencionado anteriormente. Sempre procure um médico se observar sangue nas fezes.
Consistência: A Escala de Bristol é uma ferramenta útil para classificar a consistência das fezes em 7 tipos:
- Tipo 1: Fezes difíceis de sair, em bolinhas duras. Indica uma constipação severa e, se for persistente, deve ser investigada.
- Tipo 2: Bolinhas juntas. Também pode indicar constipação, possivelmente por falta de fibra, água ou gordura.
- Tipo 3: Fezes em forma de linguiça com rachaduras na superfície. Considerado normal.
- Tipo 4: Fezes em forma de linguiça, lisas e macias. Ideal e saudável.
- Tipo 5: Bolas macias com bordas definidas. Normal, mas pode indicar trânsito intestinal rápido.
- Tipo 6: Fezes fofas e sem bordas definidas. Pode sugerir má absorção de nutrientes ou intolerâncias alimentares.
- Tipo 7: Fezes líquidas, caracterizadas por diarreia. Pode indicar má absorção, intolerâncias alimentares, infecções ou inflamação.
Outros sinais:
- Pedaços de comida: A presença ocasional de pedaços pode ser normal, mas se for persistente, pode indicar mastigação inadequada ou problemas digestivos.
- Muco: A presença de pequenas quantidades de muco também pode ser normal, mas quantidades excessivas podem sugerir processos inflamatórios ou intolerâncias alimentares.
- Fezes que boiam: Geralmente são associadas a uma alta quantidade de gordura não digerida. Pode indicar problemas na digestão ou absorção de gordura.
- Odor fora do normal: Pode ser causado por alimentos não digeridos, verminose ou fermentação excessiva proveniente de uma disbiose. Diferentes odores podem estar associados a diferentes tipos de alimentos e condições digestivas.
Cheiro forte:
- Enxofre: ovo, brócolis, couve
- Ácido: derivados de leite
- Amônia: proteínas
O que pode influenciar as fezes?
- Alimentação: Uma dieta equilibrada, rica em fibra e água, é fundamental para uma evacuação saudável. Muita fibra sem água pode resultar em fezes duras, enquanto pouca fibra pode causar fezes moles.
- Desequilíbrios na microbiota: principalmente em quadros de disbiose e permeabilidade intestinal.
- Mastigação: Uma mastigação inadequada pode dificultar a digestão e levar à presença de pedaços de comida nas fezes.
- Intolerâncias alimentares: Dificuldades na digestão de certos alimentos podem alterar a consistência e o odor das fezes.
- Níveis de estresse: O estresse pode afetar o sistema digestivo e o funcionamento do intestino.
- Verminose: A presença de parasitas intestinais pode causar diarreia, cólicas e alterações nas fezes.
- Produção de enzimas digestivas: A baixa produção de enzimas pode dificultar a digestão e causar problemas nas fezes.
- Doenças Crônicas como hipotireoidismo, diabetes e doenças do sistema digestivo (Síndrome do Intestino Irritável, Doença de Crohn, Doença Inflamatória Intestinal, entre outras) podem influenciar as fezes.
Em resumo, observar as suas fezes pode parecer estranho no início, mas é uma prática simples e eficaz para cuidar da saúde intestinal. Alterações esporádicas são bastante comuns e normais, desde que você volte ao normal pouco tempo depois.
Contudo, se você notar alguma alteração persistente nas suas fezes, especialmente se acompanhada por outros sintomas como dor abdominal, perda de peso ou alterações no apetite, é importante procurar um médico para solicitar exames, identificar a causa raíz e te indicar um tratamento adequado.