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Intolerância ao Glúten vs. Doença Celíaca: Entenda as Diferenças

Certamente você já ouviu falar sobre a doença celíaca, mas e sobre a sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC)? Será que você conhece os sintomas e os possíveis danos a longo prazo?

Para quem não conhece, a doença celíaca é uma doença autoimune grave. Ao entrar em contato com o glúten, o sistema imunológico de pessoas com essa doença reage de forma exagerada, atacando as próprias células do intestino delgado. Essa reação inflamatória intensa causa danos às vilosidades intestinais, responsáveis por absorver os nutrientes dos alimentos. 

Os principais sintomas incluem: sintomas gastrointestinais fortes (principalmente diarreia), deficiências nutricionais, como ferro, cálcio e vitamina D, que podem levar a anemia, osteoporose e afetar a saúde dos dentes, e distúrbios neurológicos, entre outros. 

O diagnóstico é feito por meio de exames de sangue e biópsia intestinal e o tratamento consiste em uma dieta estritamente sem glúten por toda a vida.

Já a sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC) é caracterizada pela dificuldade do organismo em lidar com o glúten, presente no trigo, cevada e centeio. Quando uma pessoa com essa condição ingere glúten, o organismo reage de forma inflamatória, mas a inflamação não é geralmente tão intensa quanto na doença celíaca.

O problema nesse quadro é que muitos sintomas não são digestivos e, por esse motivo, muitas pessoas não fazem uma conexão direta entre suas queixas e a ingestão de glúten.

Abaixo seguem os principais sintomas da sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC):

  • Problemas gastrointestinais: A sensibilidade ao glúten pode causar diarreia, constipação, inchaço abdominal e dor. No entanto, a inflamação geralmente não é tão intensa quanto na doença celíaca, e não são observados os marcadores inflamatórios típicos dessa condição.
  • Fadiga crônica: A inflamação constante pode levar a um estado de fadiga crônica, muitas vezes sem causa aparente.
  • Dores articulares e musculares: A inflamação crônica também pode se manifestar em algumas pessoas como dores nas articulações e músculos.
  • Problemas neurológicos: Alguns estudos sugerem uma associação entre a sensibilidade ao glúten não celíaca e problemas neurológicos, como a “névoa cerebral”, dificuldade de concentração e dores de cabeça frequentes.
  • Erupções cutâneas: Diversos tipos de erupções cutâneas, como eczema, urticária e prurido generalizado, têm sido relatados por pessoas com SGNC. Essas erupções podem ser desencadeadas pela ingestão de alimentos contendo glúten e tendem a melhorar com a eliminação do glúten da dieta.

Como saber se você tem sensibilidade ao glúten não celíaca?

Não existe um único “padrão-ouro” para o diagnóstico da sensibilidade ao glúten não celíaca. Ao contrário da doença celíaca, não há um marcador biológico claro. Os testes sorológicos para a doença celíaca são negativos para a sensibilidade ao glúten não celíaca, mas são necessários para descartar a doença celíaca e outras condições intestinais. O diagnóstico geralmente é feito por exclusão.

Por esse motivo, se você suspeita de sensibilidade ao glúten, pode ser muito útil realizar uma eliminação total do glúten por 4 a 6 semanas (como é frequentemente recomendado em estudos) e observar se os sintomas melhoram. Em seguida, reintroduza alimentos com glúten para ver se os sintomas retornam.

Caso isso aconteça, não deixe de conversar com um médico e um profissional da área da nutrição para uma orientação adequada sobre eventuais suplementos e substituições na dieta com foco em melhorar a integridade das suas barreiras intestinais. Dessa forma, sua alimentação ficará mais equilibrada e você terá menos sensação de privação total.


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Carla Righi

Sobre a autora

Carla Righi é Health Coach de Nutrição Funcional Integrativa, formada pelo Institute for Integrative Nutrition de Nova York, com especializações em Hormone Health, Gut Health e Emotional Eating Psychology. É também especialista em Menopausa pela University of Vermont. Acompanha mulheres ao redor do mundo no processo de transição hormonal, intestinal e emocional que se inicia após os 35 anos e se estende além da menopausa.

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