O consumo de álcool é comum e super bem aceito em várias culturas ao redor do mundo de forma geral (e especialmente nas culturas americana e européia). Mas hoje quero conversar com você especificamente sobre o impacto do consumo excessivo de álcool sobre nosso intestino, uma vez que ele é peça fundamental na nossa capacidade de absorção de nutrientes e na nossa imunidade.
Então vou elencar aqui alguns efeitos de se consumir álcool em excesso, já deixando claro que a medida de “excesso” varia muito de pessoa para pessoa. Ou seja, para uma pessoa que apresenta deficiências nutricionais, carências vitamínicas, baixa capacidade digestiva, níveis inflamatórios elevados ou esteja com um fígado sobrecarregado, doses não tão altas (quantitativamente falando), já podem ser consideradas um “excesso,” se considerarmos que aquele organismo já está mais debilitado (mesmo que a pessoa muitas vezes não tenha consciência dessa condição).
Então vamos lá:
Desequilíbrio das bactérias intestinais:
Beber álcool em excesso prejudica o equilíbrio das bactérias benéficas no seu intestino, gerando um estado de disbiose intestinal, ou seja, quando existe um desequilíbrio entre as bactérias boas e ruins no seu intestino. O problema é que um quadro de disbiose pode gerar problemas digestivos, como inchaço, gases, constipação ou diarréia, além de afetar seu sistema imunológico.
Danos à camada protetora do intestino (mucosa intestinal):
O álcool pode causar danos à camada protetora do seu intestino delgado, gerando um estado de permeabilidade intestinal aumentada (ou leaky gut). O problema é que um intestino super permeável permite que toxinas e substâncias indesejadas (como vírus, bactérias ou pedaços mal digeridos de comida) entrem na corrente sanguínea, aumentando os níveis de inflamação do corpo e sendo potenciais gatilhos para doenças autoimunes.
Má absorção de nutrientes:
O álcool pode interferir na absorção de nutrientes importantes, como vitaminas do complexo B, vitamina D, cálcio, magnésio e zinco. E isso acontece porque o nosso corpo precisa desses mesmos nutrientes para metabolizar o álcool, deixando menos deles disponíveis para outras funções importantes do nosso corpo, como manutenção da saúde dos ossos, imunidade, cognição, entre outros aspectos.
Desequilíbrios hormonais:
O consumo excessivo de álcool pode prejudicar a produção e regulação de hormônios importantes, como o hormônio do crescimento, insulina, estrogênio e testosterona. Esses desequilíbrios hormonais geram impactos importantes na nossa saúde de forma geral mas também na nossa função intestinal, incluindo alterações na motilidade intestinal, aumento da permeabilidade intestinal e inflamação.
Mas agora que já falei dos impactos do álcool para o intestino, vamos falar sobre algumas dicas práticas para você tentar minimizar os efeitos no seu corpo:
- Evite ao máximo consumir álcool em seu dia a dia e deixe para consumí-lo em ocasiões especiais para não sobrecarregar seu fígado (o grande general de filtragem de toxinas do seu corpo) e as suas barreiras intestinais (as principais responsáveis pela sua absorção de nutrientes);
- Sempre alterne o consumo de álcool com água para ajudar seu processo de metabolização e excreção pelo corpo. Idealmente, para cada copo de álcool tome o dobro em água;
- Nos dias em que consumir álcool, reforce a sua ingestão de fontes de vitamina C como as frutas cítricas por exemplo (ou suplemente se for o seu caso), pois a vitamina C é um poderoso antioxidante para neutralizar os radicais livres produzidos em maior quantidade quando consumimos álcool.
- Nunca beba álcool com o estômago vazio e, sempre que possível, foque em ingerir alguma fonte de PROTEÍNA antes de beber. E isso é importante porque nosso fígado precisa de aminoácidos (encontrados nas proteínas) para fazer seus processos de metabolização e conversão do álcool em substâncias menos tóxicas que sejam passíveis de serem excretadas pelo nosso corpo.
- Além disso, as proteínas podem ajudar bastante na regulação de açúcar no sangue quando ingeridas em conjunto com o álcool. E isso acontece porque as proteínas são digeridas mais lentamente do que os carboidratos (e o álcool é puro carboidrato!), fornecendo uma liberação gradual de açúcar no sangue e evitando picos e quedas bruscas.
Por fim, vale ressaltar que o consumo de proteínas não anula os efeitos negativos do álcool e que a moderação sempre será a peça fundamental para a sua saúde. O fígado tem um limite de capacidade para metabolizar o álcool (e que varia de pessoa para pessoa!), e o seu consumo excessivo ou frequente pode sobrecarregá-lo e aumentar todos os seus índices inflamatórios de forma geral.