Pergunta importante: qual você acha que é a principal causa de morte entre mulheres depois da menopausa?
Quase todo mundo responde câncer, principalmente o de mama. Mas não é. É a doença cardiovascular. Infarto e AVC tiram mais vidas de mulheres nessa fase do que qualquer outra coisa.
E por que isso acontece?
Durante toda a vida fértil, o estrogênio funciona como um escudo para o nosso coração. Ele ajuda a manter as artérias flexíveis, equilibra o colesterol (segura o LDL, favorece o HDL) e ajuda no controle da pressão arterial.
Quando a menopausa chega e esse hormônio despenca, o coração perde boa parte dessa proteção. É aí que o risco cardiovascular sobe de forma importante, muitas vezes de mansinho, sem sintoma nenhum avisando.
E aqui entra uma informação importante: quando iniciada no momento certo, ainda perto do começo da menopausa (o que os estudos chamam de “janela de oportunidade”, em geral antes dos 60 anos ou nos primeiros 10 anos), a reposição hormonal tem um perfil favorável também para o coração, ou seja, vai muito além de apenas aliviar os sintomas da menopausa.
Só faço questão de ser honesta num ponto: isso não quer dizer que a reposição seja um “remédio para o coração”. Nenhuma sociedade médica a recomenda com essa finalidade. O que a ciência mostra é que, começando na hora certa, ela não prejudica o coração e ainda joga a favor.
Como sempre, a reposição não é regra pra todas. É uma decisão que precisa ser conversada com responsabilidade, olhando para o seu histórico e para o seu caso clínico, junto a um médico especializado em menopausa.
Mas tem uma coisa que vale pra todas nós, independente de fazermos reposição ou não: cuidar do coração ativamente nessa fase. Atividade física, sono, alimentação, controle da pressão e do colesterol. O básico bem feito continua sendo o nosso maior remédio.
E por falar nisso, deixa eu te perguntar com todo o carinho: sua consulta de rotina está em dia? Seus exames do coração também?