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Novo estudo aponta associação entre análogos de GLP-1 e menor risco de câncer

Algumas semanas atrás eu fiz um texto sobre os análogos de GLP-1, as canetas emagrecedoras. Falei que os estudos recentes estão mostrando efeitos anti-inflamatórios e de redução do “food noise” (aquele desejo por comida mesmo quando você está saciada) que vai muito além do que simplesmente “emagrecer”.

Agora temos um estudo novo. E dessa vez o assunto é câncer!

Saiu em junho de 2026 um dos maiores levantamentos já feitos sobre isso. O estudo analisou dados de mais de 229 mil adultos com obesidade e sem diabetes, que começaram a medicação pra perder peso. Ou seja, ninguém entrou nesse estudo pensando em câncer.

E olhem que interessante as observações: quem usou a medicação teve 41% menos câncer ligado à obesidade. Nos homens a proteção chegou perto de 70%. Endométrio caiu 58%. Também apareceram reduções na incidência de alguns cânceres específicos, incluindo colorretal, pâncreas e mieloma múltiplo.

Quero reforçar que esse estudo foi observacional, com cerca de 2 anos de acompanhamento e mostrou uma associação forte e não uma prova fechada de causa e efeito.

Claro que muito mais estudos são necessários para que haja uma comprovação, mas esse número é grande demais pra ser ignorado.

E a explicação biológica mais provável é que essa classe de medicamentos age em dois pontos ligados ao desenvolvimento do câncer:

1- Reduz a gordura visceral, aquela que fica em volta dos órgãos, que é uma fábrica de inflamação silenciosa.

2- Reduz a insulina, porque insulina alta circulando pode estimular o crescimento e a multiplicação de alguns tipos de células cancerosas.

Claro que a medicação precisa ser prescrita de forma correta e sempre acompanhada, como expliquei detalhadamente no meu texto anterior sobre esse assunto. Mas se você tem obesidade, resistência à insulina ou histórico de câncer na família, esse assunto merece aparecer na sua próxima consulta.

 

Fonte: estudo apresentado no Congresso Anual da ASCO 2026 (American Society of Clinical Oncology), liderado pela Dra. Aparna Kamat, do Houston Methodist Hospital, com 229 mil adultos com obesidade.

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Carla Righi

Sobre a autora

Carla Righi é Health Coach de Nutrição Funcional Integrativa, formada pelo Institute for Integrative Nutrition de Nova York, com especializações em Hormone Health, Gut Health e Emotional Eating Psychology. É também especialista em Menopausa pela University of Vermont. Acompanha mulheres ao redor do mundo no processo de transição hormonal, intestinal e emocional que se inicia após os 35 anos e se estende além da menopausa.

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