Blog

Por que a sua digestão mudou tanto no climatério (e a culpa não é do que você comeu)?

Vou direto ao ponto: você já sentiu que seu corpo virou um estranho? Ontem você comia de tudo, hoje, termina o jantar com a barriga tão estufada que mal consegue fechar o botão da calça.

Muitas mulheres que atendo chegam exaustas de tentar o óbvio: tiram o glúten, cortam a lactose, reduzem as porções… e o desconforto continua lá. 

E sempre a primeira reação é sempre a culpa, mas eu quero te dar um novo olhar: a culpa não é do seu prato!

O “buraco” é mais embaixo e tem nome: sinalização hormonal. 

No climatério, a gente não está apenas perdendo hormônios; a gente está perdendo os maestros que dizem ao sistema digestivo como trabalhar.

Por que a conta não fecha mais?

Sabe aquela sensação de peso depois de comer uma proteína? Geralmente é o seu estrogênio em queda. Ele é quem dá o “comando” para o estômago produzir ácido. Sem ácido, a comida não é quebrada, ela “senta” no seu estômago.

Já a progesterona, quando oscila, mexe diretamente no ritmo do seu intestino. Ele fica preguiçoso. E para completar o cenário, a nossa bile fica mais espessa, o que torna a digestão de gorduras (até as boas!) um desafio gigante, gerando aquele refluxo chato.

E tem um vilão silencioso nessa fase: o cortisol. No climatério, ficamos mais sensíveis ao estresse. Se você come sob tensão, seu corpo “desliga” a digestão. É biológico. Não importa se a salada é orgânica; se você está estressada, seu corpo não vai absorver nada.

Como melhorar essa situação (na prática)

Esqueça as restrições radicais por um momento. Vamos focar em suporte.

O primeiro passo é básico, mas quase ninguém faz: o seu estômago não tem dentes. Se você tem menos ácido agora, precisa mastigar até a comida virar uma pasta. Isso tira 50% da carga de trabalho do seu sistema digestivo.

Outra coisa: pare de “afogar” suas enzimas. Beber muito líquido com a comida dilui o pouco ácido que resta. Tente a regra dos 30 minutos: nada de água 30 minutos antes ou 1 hora depois. Se precisar, use um chá de hortelã morno em pequenos goles.

Ah, e tente começar o almoço com algo amargo. Rúcula, agrião ou radicchio. Esses sabores “acordam” o fígado e a vesícula antes do prato principal chegar. É um estimulante natural que faz milagres pelo inchaço.

No fim das contas, não é sobre sofrer com o que você come, mas sim sobre recalibrar o seu corpo para essa nova fase.

Autonomia e conforto são possíveis, desde que a gente entenda que as regras do jogo mudaram.


Compartilhe este post:

container

Carla Righi

Sobre a autora

Carla Righi é Health Coach de Nutrição Funcional Integrativa, formada pelo Institute for Integrative Nutrition de Nova York, com especializações em Hormone Health, Gut Health e Emotional Eating Psychology. É também especialista em Menopausa pela University of Vermont. Acompanha mulheres ao redor do mundo no processo de transição hormonal, intestinal e emocional que se inicia após os 35 anos e se estende além da menopausa.

Posts Relacionados