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Por que as mulheres acima dos 40 sofrem mais com problemas digestivos e constipação?

Hoje eu gostaria de conversar com as mulheres acima dos 40 e que sofrem com problemas digestivos e constipação.

Eu sempre falo sobre a importância de cuidarmos da nossa digestão, porque não basta apenas “comer saudável”, nós também precisamos olhar com muito cuidado para a nossa digestão, para garantirmos que estamos digerindo e absorvendo bem os nutrientes da alimentação saudável que estamos comendo.

Mas hoje especificamente, eu gostaria de falar sobre o impacto da redução hormonal natural na nossa capacidade digestiva e equilíbrio intestinal.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que, conforme envelhecemos, naturalmente temos uma diminuição na nossa eficiência digestiva, produção enzimática e capacidade de destoxificação.

Isso é natural para todo mundo.

Contudo, para as mulheres, esse aspecto se agrava um pouco mais conforme vamos entrando na perimenopausa e menopausa, em virtude do decréscimo do estrogênio.

E isso acontece porque a falta de estrogênio:

1- Afeta a produção de bile, fazendo com que a digestão de gorduras fique mais difícil;

2- Gera falhas nos movimentos peristálticos do intestino grosso, lentificando o esvaziamento gástrico e facilitando quadros mais crônicos de constipação em mulheres nessa fase.

3- Gera uma queda na diversidade das bactérias intestinais e isso, por si só, já é uma causa importante para um quadro de DISBIOSE INTESTINAL, independentemente da sua alimentação.

A Disbiose Intestinal acontece quando existe um desequilíbrio entre as bactérias na nossa microbiota intestinal e, na grande maioria das vezes, o que ocorre é que as bactérias ruins (patogênicas) se apresentam em quantidade muito superior à de bactérias boas (comensais).

O fato é que as consequências principais de um estado de disbiose intestinal são alterações nas junções entre as barreiras do nosso intestino, nos deixando em um estado de PERMEABILIDADE INTESTINAL em que, substâncias nocivas ao nosso corpo passam indevidamente para a nossa corrente sanguínea (como virus, bactérias e pedaços grandes de comida).

E o resultado disso é um efetivo prejuízo na nossa capacidade de absorver nutrientes da nossa alimentação, bem como um aumento importante na produção de substâncias inflamatórias no nosso corpo, super-ativando o nosso sistema imunológico e propiciando um aumento na probabilidade de se desenvolver  sensibilidades alimentares e/ou gatilhos auto-imunes.

Dessa forma, na perimenopausa e menopausa, os problemas intestinais mais comuns são:

  • Constipação;
  • Estufamento abdominal;
  • Dificuldades de digestão;
  • Deficiência na absorção de vitaminas;
  • Sensibilidade alimentar;
  • Maior probabilidade de câncer de intestino.

Então considerando esse quadro, em que não temos mais a “ajudinha mágica” dos nossos hormônios e a nossa capacidade absortiva fica naturalmente mais prejudicada, nós precisamos fazer um esforço ainda maior para abastecer nosso corpo de água, fibras, proteínas e gorduras de boa qualidade, antioxidantes, vitaminas e minerais…

Mas independentemente disso, quero reforçar alguns pontos especiais:

1- Se você quiser saber a quantidade diária de água necessária para o seu corpo, basta multiplicar 0.038 pelo seu peso em kilos e você terá a quantidade média em litros;

2- Inclua o colágeno diariamente em sua rotina. A ingestão de colágeno auxilia na recuperação e manutenção das junções entre as células intestinais, reforçando a barreira intestinal e evitando a permeabilidade intestinal.

3- Não postergue sua ida ao banheiro, a longo prazo esse hábito prejudica o nosso trânsito intestinal e seus sinais de evacuação vão ficando cada vez mais fracos. 

4- Inclua alimentos ricos em fitoestrogênios em sua alimentação para fazer uma “mini reposição hormonal natural” no seu dia-a-dia.
Boas fontes: sementes de linhaça, soja orgânica (como tofu, tempeh, edamame, missô), sementes de gergelim, ervilhas, amêndoas, castanha de caju, pistache e damasco seco. 

Um grande beijo!


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Carla Righi

Sobre a autora

Carla Righi é Health Coach de Nutrição Funcional Integrativa, formada pelo Institute for Integrative Nutrition de Nova York, com especializações em Hormone Health, Gut Health e Emotional Eating Psychology. É também especialista em Menopausa pela University of Vermont. Acompanha mulheres ao redor do mundo no processo de transição hormonal, intestinal e emocional que se inicia após os 35 anos e se estende além da menopausa.

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