Você sabia que os primeiros sintomas da perimenopausa são emocionais e pouca gente fala disso?
Ou seja, aqueles sintomas que todo mundo mais comenta, como os fogachos, o suor noturno ou a menstruação que começa a falhar, costumam aparecer muito mais tarde no processo de transição para a menopausa, e não no início.
Quero que pense na perimenopausa como uma puberdade ao contrário. Na adolescência, vivemos um furacão de hormônios subindo até que se estabilizam no topo. Na perimenopausa, você entra nesse mesmo furacão em altos e baixos, só que o movimento agora é de queda, até que seus ovários parem de produzir esses hormônios.
O grande problema é que esse processo de transição pode começar até 10 anos antes da chegada efetiva da menopausa, que é quando você fica 12 meses consecutivos sem menstruar.
E, nessa transição, o comum é que os sintomas não apareçam todos juntos; eles também ocorrem em fases. Nessa primeira fase, o cérebro é um dos primeiros órgãos afetados, justamente porque ele é um dos que mais possuem receptores para estrogênio. E daí começam os sintomas de irritabilidade, mudanças de humor, tristeza sem motivo, esquecimento e aquela névoa mental que faz com que não nos reconheçamos mais.
O grande problema é que, nessa fase, mesmo que você faça exames hormonais, dificilmente eles vão refletir a sua realidade. E isso acontece justamente porque, como a perimenopausa é uma fase de turbilhão hormonal, seus hormônios podem estar ótimos na segunda-feira e baixíssimos na quinta. Ou seja: o exame de sangue é só uma foto de um momento isolado, mas a perimenopausa é o filme completo dessas oscilações.
O pior é que os sintomas acabam sendo confundidos com estresse, burnout ou depressão por causa do cansaço e daquela névoa mental que trava o raciocínio.
E tanto através das mulheres que cuido, quanto em minha própria experiência vivendo no auge da perimenopausa avançada, eu sei o quanto essa confusão mental faz com que sintamos que estamos enlouquecendo, que não somos boas o suficiente ou que perdemos o controle sobre quem somos.
Mas a questão aqui não é consertar o que você está sentindo como se fosse um defeito, mas sim entender que o seu corpo mudou as regras do jogo.
Informação é poder. Quando você entende exatamente o que está acontecendo com seu corpo e para de brigar com você mesma, a clareza aparece, a autocrítica diminui e você se sente segura para buscar ajuda nos lugares e com os profissionais certos.
O conhecimento é o primeiro passo para você retomar o seu comando e atravessar esse furacão com muito mais serenidade.