Muitas mulheres chegam até mim falando sobre escapes de urina e, quase sempre, vêm com a mesma dúvida:
“Carla, por que a incontinência urinária é tão normal na menopausa?”
Bom, tenho duas notícias: a primeira é que ela é comum mas que não deveria ser considerada normal e a segunda é que ela pode começar bem antes da menopausa…
E eu mesma vivi isso na pele.
Depois dos meus 48 anos, no auge da perimenopausa, comecei a perceber pequenos escapes APENAS em alguns períodos do mês. Não era constante. Em outras fases, eu tinha controle total. Treinava, corria, pulava e nada acontecia.
Isso me confundia muito.
Se fosse APENAS fraqueza do assoalho pélvico, não deveria acontecer todos os dias?
Por que em algumas semanas estava tudo sob controle e em outras parecia que meu corpo não respondia da mesma forma?
Foi aí que caiu a ficha: não era falta de força. Era oscilação hormonal.
Na perimenopausa, o estrogênio oscila muito. Sobe, desce, cai de repente. E a bexiga e a uretra são extremamente sensíveis a isso. Quando o estrogênio está mais baixo, a uretra perde parte da sua capacidade de vedação. Um esforço simples, como tossir, rir ou pular, já pode gerar escape.
A progesterona também entra nessa equação. Em fases em que ela sobe mais, pode relaxar a musculatura lisa e aumentar a urgência urinária. Por isso, muitas mulheres percebem mais escapes em determinadas épocas do mês, especialmente na fase lútea (ou seja, na segunda metade do ciclo).
Não é psicológico. É fisiologia.
Já na menopausa, o cenário muda um pouco.
Aqui, o problema não costuma ser a oscilação do estrogênio, e sim a sua queda sustentada. O estrogênio fica cronicamente mais baixo. Isso leva, ao longo do tempo, a um afinamento dos tecidos da uretra, menor vascularização e perda progressiva da pressão de fechamento.
O resultado prático é diferente, mas o sintoma pode ser parecido.
Na menopausa, os escapes tendem a ser mais constantes, menos cíclicos e mais associados ao esforço ou à urgência, mesmo sem grandes variações ao longo do mês.
Por isso, muitas mulheres dizem:
“Antes era de vez em quando, agora parece que acontece sempre.”
Isso também não significa automaticamente assoalho pélvico fraco. Significa que o tecido perdeu suporte hormonal.
O fato é que mesmo mulheres que fazem reposição hormonal podem sentir isso. Nem toda reposição nasce perfeita. Às vezes o estrogênio ainda não está suficiente para sustentar a uretra. Às vezes a progesterona não está bem ajustada. Ajustes fazem parte do processo.
Na prática, o que realmente ajuda é parar de tratar a incontinência como algo isolado e olhar o contexto hormonal.
Entender em que fase da vida a mulher está, avaliar a reposição hormonal quando existe, trabalhar o assoalho pélvico com foco em coordenação e não só força, cuidar do intestino e reduzir o estresse, porque cortisol alto piora muito a urgência urinária.
O mais importante é saber que escapes urinários, tanto na perimenopausa quanto na menopausa, não são algo que a mulher precisa aceitar como “normal da idade”.
São comuns, explicáveis e, na maioria das vezes, ajustáveis quando a mulher entende o que está acontecendo no próprio corpo.